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Deixando a estagnação do desempenho em segurança para trás

Por Ward Metzler, Diretor de Negócios, DuPont Sustainable Solutions

Conforme publicado na EHS Today, Setembro, 2017

 

Como consultor em gestão de operações, tenho encontrado incontáveis empresas que implementaram tantos sistemas, regras e regimes de capacitação, que estão convencidas de que estão operando com o máximo de desempenho em segurança; além disso, têm uma aparente satisfação com os resultados que estão alcançando. Mas esta falsa sensação de segurança é decepcionante. Na verdade, elas alcançaram um ponto no qual todos os sistemas e regras que foram implementados acabam impedindo novas melhorias na segurança das operações. Estas empresas precisam deixar para trás a estagnação na qual encontram-se atualmente, e buscar algo ainda melhor.

 

Eu entendo porque muitas empresas sentem-se da mesma forma. Em meus mais de 40 anos de trabalho na indústria de caminhões e na DuPont Sustainable Solutions, tenho visto uma evolução transformadora na maneira com a qual as empresas promovem operações melhores e mais seguras. Quando os veículos japoneses, melhor fabricados, começaram a entrar no mercado norteamericano nos anos 1980, os fabricantes estadounidenses viram a necessidade de adotar sistemas de gestão que os permitissem competir com os produtos de grande qualidade de seus concorrentes japoneses. Como resultado, por volta dos anos 2000, as empresas implementaram em suas operações um grande número de diferentes sistemas, incluindo sistemas de gestão da qualidade, sistemas de gestão ambiental, sistemas de gestão de segurança, sistemas de gestão da excelência operacional, entre outros.

 

Muitos dirão que implementaram cerca de 80% de um sistema de gestão em particular, declararam vitória, e seguiram para a implementação do próximo sistema ou iniciativa. Quando já não puderam manter estes sistemas parcialmente implementados, e o desempenho sofreu como resultado, as empresas começaram a integrar todas as iniciativas distintas em um amplo Sistema de Gestão de Operações que, se executado com rigor, tinha o objetivo de melhorar o desempenho em todas as frentes.

 

Um extenso Sistema de Gestão de Operações, combinado com regulações melhoradas, tem ajudado a reduzir a frequência das lesões no local de trabalho, no entanto isto levou com que a gerência e os comitês de segurança da planta sejam complacentes. Os níveis de supervisão foram reduzidos, de tal forma que a liderança está passando menos tempo na área de produção, identificando os riscos com os colaboradores. Os operadores que trabalham com equipamentos e máquinas sabem onde estão os perigos, mas não estão os reportando nem os enfrentando de uma forma sistemática. Muitos riscos ainda se fazem presentes, mas não há esforços para reconhecê-los e evitá-los, melhorando ainda mais o desempenho em segurança. Neste ponto, as organizações estão presas a um desempenho de segurança rotineiro, sem sinais de melhorias visíveis ou embasadas em dados.

 

Existem duas formas com as quais as empresas podem deixar esta estagnação para trás e alcançar um desempenho superior em segurança. Primeiro, devem seguir os passos necessários para incrementar a conscientização dos riscos entre os trabalhadores, especialmente entre os mais jovens. Os Millennials que estão ingressando na força de trabalho são parte de uma geração que tem menor percepção dos riscos que as gerações anteriores. Partindo de uma abordagem comportamental, a conscientização dos riscos pode ser situacional e estar sendo influenciada por fatores externos. Os trabalhadores mais jovens, muitos dos  quais participam de atividades organizadas como esportes competitivos, onde o risco é controlado para eles, ou que engajam com jogos digitais, onde não existe o risco da lesão física, podem entrar em uma planta ou caminhar na área de procução com um pressuposto incorreto de que o local de trabalho será tão seguro quanto as outras atividades que desempenham.

 

Além disso, a demografia da força de trabalho está mudando. Na medida em que os Baby Boomers se aposentam, levam consigo um conhecimento arraigado sobre os perigos não reconhecidos que existem nas operações. Para complicar ainda mais a situação, há uma grande dificuldade na comunicação entre os Baby Boomers e os Millenials, o que pode inibir a troca de melhores práticas para prevenção da exposição aos riscos que são conhecidos, mas não são documentados. Uma vez que o conhecimento institucional sobre os perigos é perdido, há uma maior probabilidade de tomadas de decisões pobres que levem a graves lesões.

 

Para compensar, algumas organizações recorrem ao desenvolvimento de um conjunto de regras operacionais estritas e esperam que os empregados as sigam, supondo que as regras se aplicam a cada um dos riscos ou perigos que podem surgir no trabalho. Isto não somente dá uma falsa sensação de segurança para a gerência, como também acaba tornando-se rapidamente mais uma mera “lista de verificação” dos funcionários, para que conservem seus empregos. Isto não ajuda em nada a melhorar os índices de segurança.

 

A conscientização dos riscos é um processo que está sempre evoluindo e que requer a participação ativa de todos os funcionários, para identificar todos os perigos de forma sistemática, e então tomar medidas diárias para evitá-los.

 

Além de incrementar a percepção dos riscos para acabar com a estagnação do desempenho em segurança, as empresas podem adotar uma estratégia de três frentes que reforça e recompensa a organização pela redução contínua do nível de risco em toda a empresa.

 

Primeiro, é necessário um engajamento regular com todos os níveis da organização para catalogar todos os perigos e depois de hierarquizá-los, para garantir que os mais graves sejam resolvidos. Este processo deve ir além daquilo que é identificado pela maioria dos programas de observação no local de trabalho.

 

Segundo, pesquisas recentes em psicologia cognitiva têm descoberto que as pessoas tomam decisões arriscadas usando a parte emocional de seu cérebro. As empresas precisam desenvolver mensagens de segurança que falem com o lado afetivo, para construir um laço emocional entre o funcionário e os riscos. Engajando os trabalhadores em um nível emocional, acaba-se influenciando a tomada de decisão intuitiva, o que leva a uma maior consciência dos riscos aos quais estamos sujeitos.

 

Finalmente, a forma com a qual as empresas abordam suas necessidades de desenvolver competências e treinamentos precisa ser repensada para os Millennials. O maior uso de vídeos, combinados com mensagem mais concisas, é uma forma mais efetiva de conectar-se com eles. O micro- learning (ou micro-aprendizado), cursos online e vídeos curtos com dicas de segurança, podem ajudar a melhorara retenção do aprendizado e a fechar as lacunas de desempenho. O micro-learning oferece aos funcionários uma capacitação “no tempo certo, no lugar certo, e na medida certa”, para ajudar a fortalecer a conscientização dos riscos e prevenir incidentes no trabalho.

 

Para as empresas, é fácil desenvolver uma sensação de complacência, baseada nos muitos sistemase procedimentos de gestão de riscos que estão implementados, mas a liderança deve ser cuidadosa para não se conformar com um bom índice de segurança. A gestão dos riscos é uma busca constante que requer atenção contínua; os sistemas e listas de verificação sozinhas não são suficientes para transformar a segurança. Compreender a sua força de trabalho e saber a melhor forma de comunicar-se com eles sobre a percepção de riscos pode ajudar as empresas a retomarem uma tendência decrescente nos incidentes e melhorarem ainda mais a segurança de suas operações.


Ward Metzler é Diretor de Negócios da DuPont Sustainable Solutions, onde fornece aconselhamento em gestão de operações para clientes Norte-Americanos.