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Novas estratégias para gerenciar riscos

Por Srini Ramabhadran e Mieke Jacobs 

 

Conforme publicado em industryweek.com, Fevereiro de 2016

 

O planejamento baseado em riscos é um conceito familiar para a maioria das empresas. Muitos líderes de negócios percebem que um sistema adequado de Gestão de Risco Operacional (Operational Risk Management - ORM) ajuda a reduzir os custos operacionais e de auditoria, reduz a perda operacional, aumenta a satisfação do cliente e da equipe, otimiza a cobertura de seguros e promove a conformidade com os requerimentos legais. Além disso, a disciplina operacional cultivada como parte de um sistema de Gestão de Risco Operacional eficaz permite que os líderes mantenham a consistência e a confiabilidade, maximizando a eficiência ao longo de seus processos de fabricação e produção.

 

Mas reconhecer a importância do gerenciamento de riscos nem sempre se traduz em uma estratégia ou sistema eficazes. A adoção de uma abordagem estratégica para gerenciar riscos pode garantir a otimização de recursos e, ao mesmo tempo, maximizar a redução de riscos.

 

Nem todas as estratégias de Gestão de Risco Operacional são as mesmas – e nem deveriam ser. As organizações devem desenvolver uma estratégia que complemente seu modelo de negócios e suas operações. Isso requer uma sólida compreensão dos riscos específicos que enfrentam, bem como das pessoas que empregam, para somente então integrar totalmente o sistema nas operações diárias da empresa.

 

Risco não é definido universalmente 

 

O risco é avaliado através de uma análise do potencial de incidentes, juntamente com o grau de impacto que poderiam ter em uma organização, caso ocorressem. Isso significa que as empresas enfrentam uma ampla gama de riscos potenciais, que vão desde riscos de alta frequência/baixa gravidade até riscos de baixa frequência/alta gravidade, e tudo o mais que existir entre eles. A exposição aos riscos varia entre uma empresa e outra, dependendo de vários fatores, como localização física, cultura predominante, competência e disciplina operacional.

 

Dada a ampla gama de riscos potenciais e o limite nos recursos que uma empresa pode dedicar à gestão de riscos, faz sentido adotar uma estratégia que atribua o esforço adequado aos riscos potenciais. Não existe uma abordagem única para mitigar os riscos que uma empresa enfrenta, e simplesmente não é prático abordar todos os riscos com o mesmo nível de intensidade.

 

Empresas obtiveram sucesso ao adotar o que a DuPont Sustainable Solutions (DSS) se refere como uma abordagem de “risco diferenciado”. Essa estratégia garante que o esforço e os recursos adequados sejam gastos com base no perfil de risco específico do setor e dos negócios em que a empresa opera. Isso resulta não apenas no gerenciamento de risco ideal para uma organização, mas também na garantia de valor para o investimento, dando às empresas uma vantagem competitiva em seu setor de negócios (Figura 1). O sucesso da Gestão de Riscos Operacionais está na identificação, avaliação e controle de perdas, bem como no gerenciamento diferenciado dos riscos associados.

 

 

 

 

                                                     1 Encontrando o ponto ideal para o risco operacional

 

Compreendendo o Fator Humano nos riscos 

 

Apesar dos esforços bem-intencionados em torno de sistemas de gestão de riscos e processos organizacionais de trabalho, os incidentes ainda podem acontecer. Isso porque nossos ativos, frotas e equipamentos são projetados, operados e mantidos por pessoas - e as pessoas não são perfeitas. A pesquisa da DuPont mostra que 82% dos incidentes dentro do local de trabalho podem ser atribuídos à má tomada de decisão. Uma maneira de reduzir incidentes é entender o que influencia a tomada de decisões dos funcionários.

 

As empresas podem melhorar o desempenho de segurança compreendendo as características comportamentais de seus trabalhadores. Os funcionários tomam decisões com base no que pensam e sentem. Há também um contexto social que influencia na tomada de decisões, que inclui as normas sociais e regras não escritas que influenciam o comportamento de um indivíduo ou de uma equipe. Entender as mentalidades e os comportamentos pode ajudar as empresas a criarem uma cultura de desempenho que pode alcançar resultados superiores. Muitas vezes, o impacto que esses contextos comportamentais têm sobre os resultados é significativamente desvalorizado. 

 

Integração é essencial

 

Ao gerenciar riscos operacionais, é tentador atribuir apenas soluções técnicas aos problemas ou riscos que são encontrados. No entanto, um foco exclusivo nos elementos de segurança do trabalhador e do processo é inadequado. E embora as empresas que realmente consideram os impactos comportamentais em incidentes e se concentrem em gerenciar e reduzir riscos em vez de simplesmente direcionar a conformidade a sistemas ou procedimentos sejam as mais eficazes, nem soluções técnicas nem soluções comportamentais, se aplicadas isoladamente, são suficientes para enfrentar totalmente os riscos operacionais. O que é ideal é uma abordagem integrada (Figura 2) que aborda todos os elementos de um sistema de Gestão de Riscos Operacionais bem-sucedido:

 

  • Gestão de Processos define a visão, estabelece a estratégia e as táticas, traduz isso em indicadores-chave de desempenho em todos os níveis da organização, monitora o desempenho e configura a estrutura organizacional para suportar os processos.
  • Um Modelo Técnico claro define riscos e perdas, avalia os riscos associados e fornece padrões e procedimentos para mitigar os riscos.
  • O Motor de Capacidades procura educar e fornecer aos funcionários, não apenas o conhecimento técnico, mas também os valores, atitudes e crenças ideais que os engajarão e motivarão. Exige comunicação clara de expectativas e prestação de contas e incentivo ao trabalho em equipe e colaboração
  • Crenças e Comportamentos garantem que o compromisso de uma empresa em reduzir os riscos seja impulsionado e reforçado pela participação ativa da liderança corporativa, por meio de coaching, motivação e propriedade dos resultados. Os líderes devem entender como os funcionários se comportam, pensam e sentem e como isso conduz suas decisões. Este estilo de liderança deve emanar da liderança executiva para o nível crítico da liderança de primeira linha. Aproveitar toda a motivação da organização e os recursos de resolução de problemas resulta em uma abordagem apoiada em toda a empresa.

     

 

                                                          2 Abordagem integrada para gerenciar riscos operacionais

 

Essa abordagem integrada permite que as empresas protejam seus funcionários, seus ativos e, em última análise, seus resultados. 

 

Objetivo: Maturidade Cultural

 

Para que uma organização atue nos mais altos níveis no contexto do gerenciamento de riscos, todo e qualquer funcionário, do C-Level ao trabalhador de linha, deve possuir um compromisso com operações que vão além de simplesmente reagir a incidentes e ativamente preveni-los. Atingir essa maturidade cultural é a verdadeira medida da força e da eficácia do sistema de gerenciamento integrado de uma empresa.

 

Quando a DuPont experimentou uma estagnação no desempenho de segurança corporativa no início dos anos 90, o Chairman e CEO Ed Woolard encomendou um estudo que descobriu que a maturidade da cultura de segurança da DuPont teve um impacto direto no desempenho de segurança (medido pelo total de acidentes registrados). Essa relação ficou ilustrada na Curva de Bradley™ da DuPont.

 

Nos últimos dois anos, nossa experiência com clientes mostrou que as empresas que evoluíram em direção a uma cultura de segurança mais madura obtiveram os benefícios da redução de incidentes e da melhoria da produtividade. Eles são capazes de mitigar os riscos enquanto maximizam as oportunidades de criação de valor sustentável. Eles também são capazes de alocar tempo, atenção e recursos adequados para oferecer melhor desempenho. Com base nessas descobertas, desenvolvemos a Curva de Valor de Bradley™ da DuPont, que acrescenta a dimensão da Excelência Operacional e fornece uma visão mais holística do impacto que a maturidade cultural pode ter na produtividade (Figura 3).

                                                                            3 Curva de Valor de Bradley™



Sete passos para um programa de Gestão de Riscos Operacionais de sucesso

 

Hoje, as empresas que desejam implantar um programa efetivo de Gestão de Riscos Operacionais enfrentam vários ventos contrários. Nos últimos anos, mudanças rápidas ocorreram no cenário operacional de muitas organizações, particularmente daquelas do setor industrial. Agora, as empresas estão mais globais do que nunca, com cadeias de suprimentos maiores e mais complexas. Elas precisam gerenciar uma lista crescente de requisitos legais, e a explosão nas mídias sociais significa que suas atividades são observadas mais de perto do que nunca.

 

Mais notavelmente, no ambiente atual é cada vez mais difícil que as organizações obtenham o financiamento necessário para garantir que sua estratégia de Gestão de Riscos Operacionais seja contínua. Uma pesquisa recentemente encomendada pela DuPont e conduzida pela Verdantix, empresa de consultoria independente, descobriu que aproximadamente duas em cada três organizações (65%) afirmaram que a falta de orçamento era uma barreira significativa para garantir o financiamento de programas de gerenciamento de riscos.

 

Com base nesta pesquisa, na qual 75 líderes seniores de oito setores da indústria, provenientes de 10 países, foram entrevistados para determinar suas percepções sobre estratégias de Gestão de Risco Operacional dentro de suas organizações, a DuPont Sustainable Solutions recomenda sete etapas que as empresas devem seguir para implementar um programa de Gestão de Risco Operacional bem-sucedido:

 

  1. Garantir aprovação e liderança no nível corporativo. Este é um primeiro passo crítico. Um programa de Gestão de Risco Operacional só será realmente eficaz se for defendido no topo da organização. Aproximadamente 8 entre 10 empresas (79%) dizem que a responsabilidade pelo gerenciamento de riscos é atribuída no nível corporativo, de acordo com a pesquisa realizada para DSS.

     

  2. Introduzir a responsabilidade pelo risco em toda a organização.  Funcionários de todos os níveis da empresa precisam ser treinados para incorporarem o pensamento baseado em risco em suas atividades diárias e serem responsabilizados pelos riscos dentro de sua área de controle imediata. De forma alarmante, mais de um terço (38%) das empresas dizem que os funcionários de primeira linha não são atualmente responsáveis pela gestão dos riscos.

     

  3. Reconduzir as análises dos riscos de tempo em tempo.  As avaliações dos riscos ajudam a garantir que as empresas cumpram com os novos requerimentos legais e mantêm a gestão de risco como prioridade máxima. A frequência dessas auditorias deve ser determinada pelas características únicas de cada empresa e sua pegada operacional. De acordo com a pesquisa feita para DSS, 92% das empresas estão realizando avaliações de risco pelo menos uma vez por ano. Rever e revisar a avaliação de risco de uma organização regularmente permite que a empresa mantenha o perfil de risco atualizado e incorpore quaisquer mudanças relevantes (econômicas, geopolíticas, tecnológicas, de trabalho).

     

  4. Quantificar e priorizar os riscos.  Um programa de Gestão de Risco Operacional otimizado requer que os riscos sejam quantificados em termos de probabilidade e severidade, e calculados em termos de custos e benefícios da mitigação de um risco, em vez de permitir que o risco permaneça como está. Isso permite que os esforços de mitigação sejam direcionados com mais eficácia.

     

  5. Estabelecer métricas apropriadas e indicadores-chave para monitorar e avaliar o desempenho.  Este é um dos passos mais importantes em um programa de Gestão de Risco Operacional bem-sucedido. Isso permite que as empresas garantam que os esforços e recursos apropriados sejam gastos com base no perfil de risco específico do negócio. A pesquisa realizada para DSS mostra que várias empresas já estão cientes da importância dessa etapa e estão complementando o desenvolvimento de suas métricas com o aconselhamento de fontes externas.

     

  6. Implementar controles consistentes, bem documentados e econômicos.  Tais medidas de controle são necessárias para mitigar ativamente os riscos prioritários identificados. Embora quase todas as empresas (98%) achem que já possuem controles adequados, apenas cerca de uma em quatro (27%) as considerou eficazes em função do custo, sugerindo uma oportunidade para identificar melhores opções para gerenciar e controlar os riscos identificados.

     

  7. Reforçar a importância da gestão de riscos através de comunicações regulares.  Estabelecer um cronograma regular de comunicação sobre o desempenho da Gestão de Risco Operacional é uma maneira eficaz de manter o engajamento sobre o assunto. As comunicações devem ser adaptadas a níveis e funções específicos da organização para abordar diferentes prioridades e áreas de foco.

     

O desenvolvimento de programas de Gestão de Risco Operacional eficazes para mitigar com sucesso os riscos deve ser uma prioridade no ambiente de negócios competitivo. Isso exige que as empresas não apenas estruturem um programa que seja exclusivo de suas operações de negócios e englobadas nas atividades diárias de todos os funcionários em todos os níveis da organização, mas também que as empresas assumam um compromisso contínuo com a Gestão de Risco Operacional, apesar dos muitos desafios que elas enfrentam atualmente. As empresas que adotam uma visão de longo prazo e tomam as medidas necessárias para implementar os programas de Gestão de Risco Operacional em andamento hoje colherão os benefícios de uma organização mais segura e de maior sucesso no futuro.