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OBSERVAÇÃO COMPORTAMENTAL COMO CHAVE PARA O ZERO ACIDENTE SEMPRE

A Usina Coruripe, com Matriz em Alagoas, integra o Grupo Tércio Wanderley, e conta ainda com quatro unidades industriais em Minas Gerais: Iturama, Campo Florido, Limeira do Oeste e Carneirinho, além da Coruripe Energética. Juntas, são quem mais produzem açúcar e álcool em todo o Norte e Nordeste brasileiro. Seus três polos de produção fabricam 20 milhões de sacos de açúcar e 500 milhões de litros de álcool. Possuem infraestrutura para estocar 10,4 milhões de sacos de açúcar e 203 milhões de litros de álcool.

 

Ao longo de 2013, a equipe de Recursos Humanos e Segurança do Trabalho da Usina Coruripe realizou um diagnóstico da situação da gestão de acidentes na empresa e chegou à conclusão que era preciso tomar uma atitude agressiva para que todos trabalhassem de uma forma realmente segura, pois mostrava que 85% dos acidentes eram causados por atitudes inseguras. As recomendações foram aprovadas pela diretoria e o programa Zero Acidente Sempre foi lançado trazendo uma nova forma de atuar com segurança.

 

Para que fosse completa e efetiva, era preciso que a mudança principal partisse da própria liderança. Assim, foi decidido que o programa STOP® para Supervisão seria a ferramenta mais adequada, de fácil entendimento e de retorno mais rápido. Além disso, “ter uma empresa referência mundial em segurança como a DuPont ao lado da Coruripe, trouxe muita confiança para nós durante a implementação do trabalho”, afirma Fábio Moniz.

 

Estruturando o programa

 

O programa foi implementado em 2014 para todas as unidades do grupo. São cinco unidades produtoras, um terminal de logística de açúcar e um escritório central. O primeiro treinamento ocorreu em um evento com a diretoria e um grupo de gerentes das unidades. Foi uma maneira de marcar o lançamento do programa STOP® na empresa, com a liderança demonstrando o compromisso com o tema. As demais turmas de treinamento se deram de forma linear em todas as unidades. Foram inicialmente 17 turmas de observadores conduzidas por um instrutor da DuPont e quatro turmas aplicadas pelos multiplicadores funcionários da Usina Coruripe. Foram treinamentos de 16 horas com partes teóricas e práticas. Todo o sistema de apoio foi assessorado pelas equipes de recursos humanos locais das unidades. Para cada unidade do grupo, existe um Subcomitê do Programa STOP®, onde são analisados os dados mensais do programa e determinados os planos de ação necessários. Essas informações são divulgadas por meio de murais, Diálogo Diário de Segurança (DDS) e reuniões de cada departamento para os colaboradores operacionais. Para a direção da empresa, há mensalmente uma reunião com o Comitê Central de Segurança (presidente e diretores), para analisar a evolução do programa de observação, onde são feitas as deliberações gerais.

 

Além do compromisso com o programa de observação comportamental, a Coruripe tem outras formas de motivação de pessoas como: integrações, DDS específicos para cada situação encontrada, elaboração de diversas cartilhas alusivas à segurança, distribuição de faixas e placas motivacionais pela empresa, reconhecimento de práticas seguras e de quebra de recordes de dias sem acidentes com uma celebração com bolo e refrigerante. Além disso, os líderes que não fazem nenhuma observação mensal recebem uma carta motivacional assinada pelo presidente e pelo diretor administrativo e de recursos humanos.

 

Desafio

 

No total, foram treinados 428 observadores e 15 multiplicadores no programa STOP® para Supervisão, até o momento. O maior desafio no processo foi quebrar alguns paradigmas e conceitos antigos. Alinhar o papel do líder que não compreendia a dimensão da segurança e transferia a responsabilidade para os técnicos de segurança do trabalho. Contudo, após muitos treinamentos e orientações, a maioria dos líderes assumiu uma postura de ser um exemplo em trabalhar com segurança. Aqueles que mesmo após várias tentativas não se conscientizaram, foram substituídos.

 

Resultados

 

Estipulou-se um número mínimo de observações, de acordo com o nível hierárquico na empresa. Para os nove meses iniciais de observações realizadas, conseguiu-se uma média de 95% da meta de observações.

 

“É possível perceber a mudança de atitude, pois as pessoas estão mais envolvidas nas questões de segurança e preocupadas em realizar tarefas com mais segurança”, Fábio Moniz.

 

Após a aplicação do programa STOP®, a Usina Coruripe experimentou uma redução de 55% na taxa de acidentes com afastamento, 60% da taxa de frequência e 60% da taxa de gravidade, ocasionando uma economia de 18 milhões de reais em acidentes e afastamentos até 2017. Houve um aumento de produtividade de 3,5% se comparadas as safras 2015/16 e 2014/15 e de 17,14% se comparadas as safras 2015/16 e 2013/2014.

 

Desde que foi iniciada a implementação com as observações formais, em outubro de 2014, houve uma redução de 25% dos desvios apurados até o mês de julho 2015.

 

“Com a implementação do programa STOP®, percebemos amplamente que as pessoas mudaram seus comportamentos e agora estão realmente entendendo a segurança como um valor para a empresa e para sua vida”, Fábio Moniz.

 

Futuro

 

Para manter os conceitos do programa STOP® vivos na mente das pessoas, cobramos disciplina das reuniões mensais, divulgação dos dados da evolução e abordagens com qualidade dos observadores.

 

A ferramenta STOP DATAPRO® possibilitou extrair dados para o gerenciamento das informações nas reuniões mensais dos Subcomitês. STOP DATAPRO® é uma ferramenta que torna fácil registrar e analisar os dados de desempenho de segurança e gerar relatórios. As informações provenientes do STOP DATAPRO® fornecem informações aos gerentes, que podem tomar melhores decisões de segurança no local de trabalho e melhorar o desempenho de segurança e operacional. Com essas informações existe a possibilidade de analisar dados e consequentemente propor ações. A divulgação das informações regularmente trouxe mais qualidade e foco nas discussões. Os bons resultados passaram a ser reconhecidos e as áreas com mais dificuldades recebem mais atenção e apoio em busca de melhorias.

 

A Usina Coruripe planeja manter a disciplina das observações, tanto formais quanto informais e também as reuniões mensais dos Subcomitês. Além disso, continua mantendo as pessoas informadas sobre o programa de observação comportamental, bem como a continuidade do programa e os resultados obtidos.

 

Também quer prosseguir com a capacitação dos observadores, introduzindo novos elementos para que os mesmos se aprimorem e evoluam permanentemente. A formação de novos grupos de trabalho focando em temas que se apresentem como críticos e a capacitação em percepção de risco são as próximas prioridades.

 

“Nada pode se sobrepor à integridade dos colaboradores e nenhuma situação emergencial ou de produção pode servir de argumento para agirmos sem segurança. A vida humana é muito mais importante que objetivos e metas da empresa”, afirma Jucelino Sousa, presidente da companhia.

 

Exemplos práticos

Unidade Carneirinho - MG:

 

Característica: unidade situada no Triângulo Mineiro, fabrica açúcar e etanol e gera energia. Tem em torno de 280 colaboradores, todos lotados na área industrial.

 

Situação: quando se iniciou o Programa Zero Acidente Sempre e, consequentemente, a implantação do programa comportamental STOP®, a unidade de Carneirinho tinha uma Taxa de Frequência de acidentes de 30,73. Com todo o trabalho do STOP®, sensibilização dos colaboradores e entendimento dos líderes de que era possível alcançar o lema Zero Acidente Sempre, a unidade Carneirinho já alcançou 333 dias sem acidentes com afastamento (até o fechamento de julho 2015). O destaque ficou por conta do tamanho da unidade, relativamente pequena, que mesmo assim, não tinha um bom controle da segurança.

 

Unidade Coruripe - AL:

 

Característica: usina situada no Estado de Alagoas, com fabricação de açúcar, etanol e geração de energia, com pico em torno de 5.000 colaboradores na safra.

 

Situação: durante a safra há um contingente de 3.500 colaboradores trabalhando na atividade de corte manual de cana-de-açúcar. Em novembro de 2014, tinha-se 33,40 de Taxa de Frequência e em agosto de 2015, tiveram um período de 85 dias sem acidentes com afastamento em toda unidade.

 

Conclusão

 

A Usina Coruripe manifestou sua satisfação com a mudança de comportamento percebida e destaca que é realmente uma grande conquista a evolução observada na segurança e que cada vez mais reconhece as boas práticas. Ao mesmo tempo em que está mais crítica e menos tolerante em relação às situações de risco e consciente de que tem um caminho até o amadurecimento das práticas. “O desafio é diário e estamos muito motivados e seguros de nossa direção”, comenta Fábio.