Contribuição Estratégica para o Agronegócio

Com a colheita no final de abril praticamente concluída, os números da safra trazem, ao mesmo tempo, preocupação e motivos para comemorar. De acordo com o sexto levantamento realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento, Conab, o país deverá colher 183,6 milhões de toneladas. Apesar do aumento de 10,5% em relação ao período anterior, quando se compara a participação dos três setores da economia – serviços, indústria e agropecuária – no PIB nacional, constata-se que o agronegócio teve desempenho bem menos brilhante do que o habitual há vários anos.

O próprio PIB nacional, em 2012, teve a modesta alta de 0,9%, somando R$ 4,4 trilhões. O setor de serviços registrou o maior crescimento, 1,7%, e mesmo a indústria mostrou recuperação, com expansão de 0,8%. O resultado amargor ficou com o agronegócio, saudado como âncora verde da economia durante vários anos: a produção agropecuária retraiu 2,3% em relação a 2012. Eis o sinal que traz forte preocupação aos elos produtivos do agronegócio brasileiro.

As commodities foram atingidas, principalmente, por dois fatores. No lado da economia global, a crise internacional na maioria dos países europeus que levou os governos do bloco a adotarem maior arrojo fiscal e o arrefecimento do ritmo de crescimento da China – 7,8%, o menor crescimento desde 1999. Em paralelo, o mercado internacional prejudicou particularmente a carne brasileira, sobretudo por parte da Rússia, maior cliente mundial, e Argentina, principal parceiro no Mercosul. O outro fator da queda na produção foram os impactos climáticos – estiagem no Sul e Nordeste e excesso de chuvas durante a colheita no Centro-Oeste, que atingiram a produtividade da soja.

Ainda que tais fatores tenham pesado de forma significativa, causando à retração do agronegócio em 2,3%, olhando a “metade cheia do copo” há que se saudar a contribuição do campo na formação econômica do país. A agropecuária totalizou R$ 813 bilhões, segundo a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária, CNA. Dentro do PIB nacional, de R$ 4.4 trilhões, de acordo com o IBGE, o resultado representa uma participação de 18,47%.

O Produto Interno Bruto brasileiro totalizou de R$ 4,4 trilhões, de acordo com o IBGE. O agronegócio computou R$ 813 bilhões, segundo a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária, CNA, o que representa uma participação de 18,47%. Segundo projeção elaborada pela RC Consultores, com base nos dados consolidados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, em 2012 as exportações do agronegócio somaram US$ 84,1 bilhões, o que representar 34% das vendas brasileiras ao exterior. A análise da RC Consultores aponta que, sem a participação do agronegócio a balança comercial teria um déficit de US$ 53 bilhões, ao invés do resultado positivo de US$ 17,9 bilhões.

O Valor Bruto da Produção, VBP, agropecuária, que inclui as 25 principais lavouras e produtos pecuários, deverá somar R$ 381 bilhões, segundo estimativa realizada em janeiro pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A soja foi o principal destaque, somando R$ 68,1 bilhões, seguida da cana-de-açúcar, R$ 43,5 bilhões, e do milho, R$ 33,4 bilhões, de acordo com dados consolidados pela Assessoria de Gestão Estratégica, do MAPA. Na pecuária, a carne bovina participou com R$ 55,1 bilhões e a carne de frango com R$ 38,2 bilhões.

Apesar de todas as dificuldades enfrentadas em 2012, o VBP agropecuário registrou aumento de 11,2% sobre o ano anterior. Foram significativos, para tanto, os ganhos de produtividade: segundo o levantamento da Conab, enquanto a área plantada aumentou 4,1 % em relação à safra anterior, a produtividade média teve crescimento de 6,1%. Frente a esses números, é preciso, mais uma vez, chamar a atenção para a importância estratégica do emprego das tecnologias nas diversas etapas da produção de alimentos, fibras e energias renováveis no país.

No caso dos defensivos agrícolas, por exemplo, um breve cálculo traz uma noção da tragédia que o Brasil – e os países importadores de grãos e fibras – o enfrentariam se as plantações não tivessem adequado controle fitossanitário. De acordo a Organização Mundial das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, FAO, as plantações comerciais não protegidas por defensivos agrícolas perdem cerca de 38% de sua produção.

Assumindo-se esse cálculo para a safra 2012/13, tem-se um número assombroso: das 183,6 milhões de toneladas de grãos colhidas, se os agricultores não recorressem aos defensivos agrícolas na proteção dos cultivos o País perderia nada menos do que 70 milhões de toneladas de grãos. Seria complexo, mas um útil exercício calcular o impacto de perdas nessa magnitude nos elos produtivos – do campo aos supermercados e portos – e para a economia brasileira, como um todo. Porém, mais eloquente do que a lógica dos números, é fácil concluir que estariam muito menos fartas as refeições em nossas mesas.

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