Produção de Alimentos: Um Dia Sem Produzir Alimentos

A passagem de um ano e o liminar do novo período sempre enseja a análise de ganhos e perdas; projetar expectativas e renovar planos. No exercício do balanço do ano recém-encerrado, o comportamento da inflação deixou um saldo preocupante: a alta chegou a 5,84% - acima do centro da meta estabelecida pelo governo, de 4,5%. Intempéries em diversas regiões do país foram as principais causas da alta nos preços de alimentos como batata, tomate, pão, arroz, óleo de soja e feijão mulatinho – este acumulou a mais forte alta, 54%, entre os alimentos e obrigou o país a importar, de forma inédita, o grão da China. Ou seja, muitos containers chineses que atracaram nos portos brasileiros, em 2012 não estavam abarrotados apenas de produtos eletroeletrônicos, de informática e vestuário – mas também do feijão nosso de cada dia.

Na cultura do milho o clima foi ainda mais impiedoso, porém foi favorecido com a seca dos Estados Unidos. A falta do cereal norte-americano, num primeiro momento, beneficiou o produto brasileiro, que viu suas exportações ganharem fatias do mercado externo; porém, a lei da oferta e da demanda foi mais forte: a disputa mundial pelo grão fez os preços da ração de frango dispararem.

Mas o fato que denota a importância estratégica da agricultura brasileira ocorreu durante alguns dias de julho. Trata-se do protesto de caminhoneiros contrários a mudanças, pelo governo e pela Agência Nacional de Transportes Terrestres, ANTT, na regulamentação do transporte de cargas. No ápice dos protestos, dia 31 de julho, a rodovia Presidente Dutra, que liga São Paulo e Rio de Janeiro, foi interrompida parcialmente por caminhoneiros, durante oito horas. Veículos carregados de alimentos não chegaram ao Rio; bastou a redução da oferta, durante apenas algumas horas, para os preços dos alimentos dispararam.

Na Ceasa, Central de Abastecimento carioca, a saca da batata, cujo preço na véspera era de R$ 40,00, alcançou R$ 100,00, alta de 150% – e não havia o produto mesmo para os consumidores dispostos a pagar caro. O problema no transporte rodoviário apenas deixou flagrante que os antigos gargalos de logística no país estão longe de ser solucionados. Mas sob outro olhar, o fato de uma estrada paralisada por algumas horas prejudicar tão drasticamente o comércio de alimentos sugere um exercício: o que aconteceria se o mundo se visse, um dias apenas, sem a agricultura, isto é, sem a produção de alimentos em escala para 7 bilhões de pessoas?

Projeções recentes afirmam que, para atender o aumento do nível de demanda nas próximas duas décadas, a agricultura terá que produzir o equivalente a “duas terras”. É evidente que não existirá recursos naturais – solos agricultáveis, água e luz – disponíveis. A única forma de evitar “o dia que a terra irá parar” a produção de alimentos será  ampliando o emprego dos recursos tecnológicos.

De fato, apenas quarenta anos atrás, os índices de produtividade agrícola no Brasil indicavam uma atividade pouco além do rudimentar; com isso, eram frequentes as importações de alimentos básicos, como arroz, trigo, óleo e frutas de clima temperado. De acordo com estudo da Assessoria de Gestão Estratégica, do Ministério da Agricultura, as tecnologias incorporadas ao campo transformaram este cenário. Entre 1975 e 2009, a produtividade total cresceu 3,68% ao ano; já os insumos – mão de obra, terra, capital, máquinas, fertilizantes e defensivos agrícolas – tiveram crescimento quase nulo, de 0,01%.

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